Consignado para CLT pode aumentar endividamento pessoal

Criciúma
Edson Padoin
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Na última sexta-feira, entrou em vigor o Programa Crédito do Trabalhador na Carteira Digital de Trabalho, que promete trazer mais acessibilidade ao crédito para cerca de 47 milhões de trabalhadores da iniciativa privada. A novidade abrange não apenas os empregados com carteira assinada, mas também trabalhadores rurais, empregados domésticos e até aqueles contratados por Microempreendedores Individuais (MEI). Segundo o Governo Federal, a medida tem o potencial de transformar a vida financeira de uma grande parcela da população brasileira. Apesar disso, a novidade também levanta preocupações sobre os impactos no endividamento pessoal.

Juros

O crédito consignado, popularmente utilizado por servidores públicos e segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), é uma forma de empréstimo com juros mais baixos, uma vez que as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento do trabalhador, o que reduz o risco de inadimplência.

O Ministério do Trabalho e Emprego informou que, nos primeiros dias após o lançamento do novo crédito consignado, mais de 40 milhões de trabalhadores fizeram simulações do novo empréstimo. Entre sexta-feira e domingo, o total de simulações atingiu a marca de 40.180.384. Além disso, foram apresentadas 4.501.280 propostas e 11.032 contratos foram efetivamente fechados por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital.
Esse dado revela um interesse significativo. Contudo, apesar da adesão expressiva, especialistas alertam para a necessidade de cautela na hora de contratar esse tipo de empréstimo.

Visão do economista

Em entrevista, o economista Enio Coan destacou os pontos positivos e os riscos do novo sistema de crédito consignado. Segundo ele, “na prática, o consignado para o trabalhador da CLT será realizado através da sua folha de pagamento mensal. O assalariado poderá financiar na rede bancária o equivalente a um crédito cuja parcela não ultrapasse 35% de seu salário mensal”. O economista aponta que a principal vantagem desse modelo é a redução das taxas de juros, que são menores do que as praticadas no mercado, já que os bancos terão um risco reduzido, uma vez que o pagamento será descontado diretamente da folha de pagamento.

No entanto, Enio Coan também levanta uma preocupação importante. “Sem dúvidas, o endividamento pessoal vai crescer em função da facilidade de acesso ao crédito, uma vez que o banco não vai observar se o tomador está negativado ou não, a segurança virá da própria empresa que efetua o desconto em folha”, alertou. Ou seja, a facilidade de contratação do empréstimo pode gerar uma falsa sensação de segurança financeira, o que poderia resultar em um aumento do número de pessoas endividadas.

FGTS

Além disso, o economista alerta para uma possível implicação negativa caso o trabalhador seja demitido antes de quitar o crédito. “Se o funcionário for demitido antes de concluir o pagamento do contrato, o banco poderá reter parte do FGTS na hora da rescisão do contrato de trabalho”, explicou. Essa medida garante ao banco uma forma de garantir o pagamento do saldo devedor, mas pode ser um complicador para o trabalhador, que poderia precisar do saldo do FGTS para sua sobrevivência ou para outras despesas.

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